AS ÁGUAS DO RIO URUSSANGA ATRAVÉS DA HISTÓRIA

Sérgio Maestrelli

Da junção dos rios Carvão e Maior nasce o rio Urussanga. 

No passado, esse encontro duplicava a vida.


Agora, desse encontro surge a morte.


Em seu trajeto recebe as águas dos rios dos Americanos, Deserto, Salto, Caeté... e deste modo as águas correm para o rio Urussanga.


O rio corre para a Praia do Torneiro, numa viagem de 40 km e mergulha no
Atlântico, mas antes do mergulho, parte desta água necessitamos.


Vamos ver então como as águas vão rolar.

 

O RIO DOS ÍNDIOS XOKLENG

No período anterior à imigração italiana, as águas do rio Urussanga, com várias espécies de peixes, eram fontes de alimento para os animais e para os índios Xokleng, que também as utilizam para matar a sede, banhos e lazer. Aos índios devemos o nome do rio e do município de Urussanga que tem origem na língua tupi-guarani. A palavra Yroiçanga significa água muito fria.

Encontro do rio Maior com rio Carvão - 2000
Autor da fotografia: Sérgio Maestrelli
Lagoa de Urussanga Velha - 1938
Acervo: Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina
Show More
 

O RIO COMO TÁBUA DE SALVAÇÃO

Logo no início da história da colonização de Urussanga, em 1880, o pavor, a inquietação, a desesperança tomaram conta dos imigrantes com a peste varrendo a colônia. Febre, calafrios e a morte chegando e com o agravante do completo desconhecimento das suas causas. Talvez tifo, talvez peste bubônica, talvez... As águas do rio Urussanga e seus afluentes serviram de antídoto e remédio para o tratamento dos doentes, que ardendo em febre eram deitados nas fontes, banhados e margens de rios para receber a divina água fria. Para muitos foi a tábua de salvação e deste modo o rio Urussanga havia se transformado no rio Jordão bíblico, no rio Ganges, o rio sagrado da Índia. 

Lazer em Morro da Fumaça - 1934
Autor desconhecido
Procissão em Urussanga (Baixada Fluminense)
Acervo: Família Bettiol
Show More
 

COM O ADVENTO DO IMIGRANTE

Com o advento da imigração italiana, as águas tiveram sua utilização direcionadas para atividades econômicas com a implantação de serrarias e atafonas, engenhos, ferrarias, movidos pela força motriz. Nas localidades haviam várias atafonas que com a força das águas, moviam as pedras que transformavam milho em polenta e as serrarias instaladas também beneficiavam a madeira para a construção de casas. As águas dos rios  movimentavam as primeiras indústrias dos antepassados.

Águas movem o trabalho - Cocal do Sul 1940
Acervo: Jaira Meneghel (Empresa Chapam)
Marcenaria em Rio América Baixo, Urussanga
Acervo: Família Bez Fontana (Início século XX)
Atafona da família Cechinel – Cocal do Sul 1946
Acervo: Livro de Venícius Búrigo
Tafona em Rio América Baixo - Urussanga 1998
Acervo: Família Bez Fontana
Show More
 

O RIO COMO LOCAL E FONTE DE LAZER

As águas do rio Urussanga em seus pontos mais profundos serviram de lazer para a velha geração dos anos de 1960, com os banhos nos ensolarados domingos do verão ou navegar com balsas de troncos de bananeira. Numa época sem piscinas e sem trampolim, eram comuns os mergulhos dos mais corajosos que se atiravam em suas águas das pontes sobre os rios.

Casamento em Rio América Baixo - Urussanga 1920
Acervo: Jornal Vanguarda
Represa para energia elétrica em Urussanga
Acervo: Hedi Damian
Acampamento em Rio Salto - Urussanga 1970
Acervo: Edna Zannin Lopes
Enchente Rio Linha Torrens - Morro da Fumaça 1974
Acervo: Paulinho Cascavel
Show More
 

O RIO E A EXPLORAÇÃO DO CARVÃO

Com o início da exploração carbonífera, na localidade de Rio Deserto, em Urussanga, a partir de 1918 e na localidade de Rio Carvão, em 1941, as águas passam a transportar a morte. Otávio Sorato, 100 anos, de Estação Cocal relatou que "a água suja do carvão descia e os peixes se aglomeram num canto fora d'água buscando desesperadamente o oxigênio da vida. Uma cena triste. Eu não sabia porque acontecia isso. Pensava que era uma doença". Nos anos de 1940 até os anos de 1980, as águas do rio Urussanga lavaram o carvão e do rio se extraía a moinha. Homens nas picaretas e mulheres na escolha do carvão.

Exploração de carvão em Rio Deserto - Urussanga
Acervo: Blog Santana Mineração
Rio  Urussanga e seu triste destino
Acervo: Sérgio Maestrelli
Show More
 

O RIO EM SEUS MOMENTOS DE FÚRIA

Nem tudo foi calmaria com as águas frias do rio Urussanga. Elas tiveram momentos de fúria e irritação, ao sair do leito do rio, nas inundações de 1950, 1953, 1974 e causar inúmeros estragos e grandes prejuízos. Nos anos de 1950, as águas enciumadas visitaram parreiras e cantinas, misturando-se com vinho. Em 1974, elas passearam nas principais avenidas, além de destruir inúmeras ruas e dezenas de residências de diferentes municípios. Foram as "águas de março" registradas inclusive numa música interpretada por Elis Regina.

Estrada entre Morro da Fumaça e Sangão 1940
Acervo: Antonio Luiz Cechinel / Roque Salvan
Água nas ruas – Urussanga anos 1950
Acervo: Museu Histórico Monsenhor Agenor Neves Marques
Água no vinho - Urussanga anos 1950
Acervo: Museu Histórico Monsenhor Agenor Neves Marques
Água no vinho - Urussanga anos 1950
Acervo: Museu Histórico Monsenhor Agenor Neves Marques
Água nas ruas - Urussanga anos 1950
Acervo: Jornal Vanguarda
Rio Linha Torrens – Morro da Fumaça 1965
Acervo: Silvina Bressan Fidelis Silva / Roque Salvan
Enchente em Morro da Fumaça 1974
Autor desconhecido
Urussanga e a enchente de 74
Acervo: Museu Histórico Monsenhor Agenor Neves Marques
Show More
 

O RIO E O LIXO DA NOSSA ESTÚPIDA GERAÇÃO

A poluição pelo carvão foi a contribuição das gerações passadas. A nossa não foi menos deprimente. O mantra do "não presta ou não serve, jogue no rio" avançou gerações. Hoje, o rio Urussanga, totalmente assoreado, insultado pelo lixo, com pH 2,9 e com suas águas e pedras com a coloração do falso ouro, só nos resta observar a sua passagem rumo ao mar. Apesar das inúmeras campanhas de conscientização alguns ainda resistem e continuam a jogar lixo embalado ou não, lançar em seu leito esgoto doméstico ou industrial, sem tratamento. Como conscientização, aliada a leis ambientais, não surtem efeito, só nos resta apelar ao espírito religioso dos habitantes da bacia do rio Urussanga para que observem o preceito do "Respeite os Mortos".

Margens como varal
Acervo: Sérgio Maestrelli
Será que o Rio é ébrio?
Acervo: Sérgio Maestrelli
Lixo na foz - Praia do Torneiro
Acervo: Comitê da Bacia do Rio Urussanga
Água e seus entulhos
Acervo: Sérgio Maestrelli
Show More
 

UMA FÓRMULA QUÍMICA MUITO SIMPLES: "AGÁDOISÓ"- (H20)

Quatro letras e um acento. Apenas dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio. Tão simples e tão vital. A vida está na água. A água está na vida. A vida é água. Sem ela, o caos e o desequilíbrio total. Ela está nos rios, nos mares, nos oceanos, nas nuvens, na neve, no gelo, nas nascentes, nos lagos, nas lagoas, nos riachos, no ar, no poço, nos lençóis subterrâneos, no barro, nas garrafas pet, nos vegetais e nos animais. Está em nós. Somos 70% de pura água. A terra onde pisamos é santa e a água é sagrada. Respeite a água. Ela é feminina, uma deusa e como tal deve ser preservada.

Ponte pêncil – Morro da Fumaça 1943
Acervo: Roque Salvan
Aeroporto alagado, em São Pedro - Urussanga
Acervo: Jornal Vanguarda
O rio e a cidade - Urussanga anos 1950
Acervo: Família Bettiol
Nosso Poço de Jacó – Urussanga anos 1960
Acervo: Museu Histórico Monsenhor Agenor Neves Marques
Ponte entre Morro da Fumaça e Treze de Maio 1959
Acervo: Roque Salvan
Ponte entre Morro da Fumaça e Treze de Maio 1964
Acervo: Roque Salvan
Locomoção de veículos - Urussanga anos 1970
Acervo: Museu Histórico Monsenhor Agenor Neves Marques
Amigos em Rio Salto, Urussanga - 1970
Acervo: Edna Zannin Lopes
Show More
CAB-URUSSANGA.png
  • /RIOURUSSANGA

Endereço: Av. Presidente Vargas, 116 - Sala 02 - Centro - Urussanga (SC) - CEP.: 88840-000

Telefone: +55 48 3465-1709 

Copyright  © 2019 Comitê da Bacia do Rio Urussanga

  • /RIOURUSSANGA

Design

cc.png
This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now